Vem aí a décima edição do Cena Brasil, um festival múltiplo, compatível com a efervescência cultural dos artistas e trazendo espaço para a massa sonora contemporânea. Inscrições abertas e envio de material a partir de setembro, o festival em 2012 traz atrações internacionais da África e acontece na Praça do Fortim do Queijo em pleno verão olindense.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Cena Brasil, consciência e luta negra tomam conta do Sítio Histórico de Olinda
Centenas de pessoas deram a demonstração, em Olinda, de que é possível e proveitosa a parceria entre a Prefeitura, a sociedade e o movimento social, e a iniciativa privada. Quase mil pessoas participaram da Marcha da Consciência Negra, neste domingo (20.11) que teve a concentração no pátio da Igreja do Rosário dos Homens Pretos, bairro de Bonsucesso.
O
prefeito Renildo Calheiros (PCdoB) esteve presente e discursou em favor
da história e da causa negra no Brasil. O Encontro de Afoxés, por volta
das 16h, deu início à caminhada, que seguiu pela rua do Amparo, entrou
nos Quatro Cantos e seguiu pela avenida Joaquim Nabuco, até a rua Marcos
Freire, juntando-se ao Festival Cena Brasil 2011, no palco do Pátio do
Fortim do Queijo, onde houveram várias atrações, desde o sábado.
“Multiplicidade
cultural no cenário histórico” foi o tema do evento, que marca o Dia da
Consciência Negra na Cidade Patrimônio Histórico Cultural da
Humanidade. A exemplo dos outros anos, as bandas participantes terão um
CD com as músicas próprias. Quatro atrações culturais se apresentaram no
domingo e outras cinco no sábado, no Pátio Fortim do Queijo, além da
dança e do som do Encontro de Afoxés na Marcha que contou com a
participação do grupo Unegro, entre outros.
No local do festival ocorreu também a Feira Social, com o tema
Gastronomia de Terreiros. “O Cena Brasil 2011 é um encontro da música
com o conhecimento, da arte com o lazer, da cultura com a história. Uma
celebração de talentos, de inovação e renovação que traz pra nossa
cidade a diversidade musical e cultural do nosso estado; em comunhão com
a cultura do país e do mundo”, descreve um dos produtores do evento,
Edilton Euclides (Energia). O Palco do Cena Brasil, este ano, no Pátio
do Fortim do Queijo recebeu 11 atrações musicais em dois dias: as
apresentações musicais de Dona Del do Coco, Coco de Toré Pandeiro do
Mestre, Marcelo Santana, Grupo Bongar, Cavalo Marinho Boi Pintado, Banda
Radares, Jorge Riba, Shifty Side e Ska Maria Pastora.
Em sua nona edição, o Festival Cena Brasil 2011, promovido pela Produção & Arte, com a Oscip Diálogos, tem um histórico bastante singular, segundo Energia, pois desde sua primeira edição em 2004, ele acontece em Olinda e em espaços abertos, permitindo uma interação com o público e valorizando o patrimônio histórico da cidade. “Além disso, o Cena Brasil tem um perfil itinerante, pois busca a cada ano utilizar os diversos equipamentos públicos, de forma gratuita e sempre garantindo o fácil acesso. Já aconteceu dentro do Carnaval de Olinda, também na Praça do Carmo, no Varadouro, em Peixinhos, Sítio de Seu Reis e agora aporta no Fortim do Queijo, que este ano foi um grande sucesso”, comemora Energia.
Por: Cristiano Jerônimo
www.cristianojeronimo.com.br
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Celebração no festival Cena Brasil
Com uma apresentação memorável, o Cena Brasil encerra a programação do festival em sua nona edição, na noite do dia 20 de novembro, na Praça do Fortim do Queijo. Em noite inspiradíssima, a festa começa com a missa Afro Descendente, na igreja Rosário dos Homens Preto em homenagem aos orixás e segue com a marcha da Consciência Negra ao som do toque dos afoxés, levando ao êxtase milhares de pessoas que lotaram as ladeiras da Cidade Alta de Olinda, reafirmando a cultura negra de resistência.
Por mais um ano o Cena Brasil convidou a população para homenagear a cultura negra e fez uma belo festival. Uma festa de vários artistas que celebra talentos e destaca a diversidade musical e cultural de Pernambuco. O Cena Brasil é isso, transformação, mistura e explosão. Agora é só esperar a próxima edição que promete uma festança celebral em dez anos do evento. Não perca tempo e venha fazer parte da cena!
Por: Renata Oliveira
domingo, 13 de novembro de 2011
sábado, 12 de novembro de 2011
Saiba um pouco mais sobre as bandas que estarão na 9ª edição do Cena
BANDA RADARES
A
Barda Radares iniciou as suas atividades em meados de 2008, após a fusão de
duas bandas “Decadência” (Rock) e “Resistores” (Hardcore). Formada por
moradores do complexo de favelas V8 e V9 no bairro do Varadouro em Olinda,
esses músicos passam em suas letras um pouco da realidade de quem vive na
periferia, com letras que transmitem mensagens sobre “violência, política e
esperança”, refletindo assim o cotidiano de quem mora nas favelas. Com isso a
banda Radares iniciou uma ação em defesa da comunidade marcada pela violência e
exclusão social. E em 2010 essa banda juntou 17 canções, lançando assim o seu
primeiro CD, intitulado “Ilusão”.
JORGE RIBA
Foi
como sambista, ou tocador de bateria de escola de samba e nos terreiros de
candomblé que Jorge teve o seu primeiro contato com a música. Sócio fundador
dos primeiros afoxés de Recife e um dos primeiros compositores de música para
estas agremiações, foi um dos maiores incentivadores à criação dos blocos afros
e afoxés do estado, buscando sempre o reconhecimento e valorização da
identidade negra pernambucana. Fundador do afoxé Aalafin Oyó, Jorge Riba desde
o inicio buscou a congregação e fortalecimento das ações afirmativas em nosso
estado. Em definitivo como sambista Jorge vem atuando há 29 anos em palcos
e festivais de Recife e Olinda e também
fora do estado e do país, sendo responsável por rodas de sambas onde se reúnem
tradição da velha guarda com o bom gosto dos amantes do samba de raiz.
SKA MARIA PASTORA
Formada
em 2008, o Ska Maria Pastora é um projeto de música instrumental de músicos
pernambucanos que possuem em comum o gosto pelo ska, reggae e naturalmente pelo
frevo. Influenciada por Capiba, Nelson Ferreira, The Skatalites principal
expoente do ska, que misturam a música européia com a caribenha, a Ska Maria
Pastora usa as harmonias de clássicos do frevo para envenenar a musica
jamaicana. O resultado é uma música efervescente e dançante, tipicamente nem
refinada, nem popular, mais altamente universal e de pura identidade. A banda
lançou nesse segundo semestre de 2011 o seu primeiro álbum intitulado “As
Margens do Rio Doce”. A banda vem conquistando cada vez mais público,
participando de festivais no Recife, Olinda e em outros estados brasileiros.
MARCELO SANTANA
Pernambucano
de Casa Amarela (Recife), Marcelo Santana tem na essência de sua música a fusão
de diversos tipos de culturas e ritmos, tais como: reggae, maracatu,
caboclinho, coco de roda, baião, ciranda, afoxé entre outras. A sua composição
“América Central” foi classificada entre as melhores do ano de 1988 e 1989 no
Projeto Espaço Aberto da Fundação Joaquim Nabuco. De lá para cá, Marcelo
Santana desenvolveu um estilo próprio, com várias influências da música popular
do Brasil, mais também da música mundial, sobretudo a jamaicana. Carregada de
ska, dub, reggae, ragga, entre outros ritmos. Navegando nesse universo sonoro,
Marcelo trouxe para o seu trabalho uma função social, produzindo música de
transformação e reflexão. Seu mais novo trabalho é o CD “Ska, Reggae e Dub” que
será lançado até o final de 2011.
GRUPO BONGAR
O
Bongar é formado por seis jovens integrantes do terreiro Xambá, do Quilombo do
Portão do Gelo em Olinda.
Tem como propósito levar aos palcos a tradicional Festa do
Coco Xambá, realizada na comunidade há mais de 40 anos. O Bongar tem um
trabalho voltado para a preservação e divulgação da cultura pernambucana e a
formação cultural de seus integrantes tem origem no universo popular,
especificamente na comunidade religiosa Xambá.
O grupo mostra em suas apresentações toda a musicalidade do coco da
Xambá, uma vertente desse ritmo tão presente no Nordeste do Brasil. Além de
ciranda, maracatu, candomblé e outros ritmos da cultura raiz. Sua forte
musicalidade, advinda de diversas influências musicais vivenciadas nos cultos
afro-brasileiros, principalmente na linhagem Xambá, é herança deixada desde a
infância aos integrantes do Bongar.
DONA DEL DO COCO
Dona
Del do Coco, nascida e criada na Zona da Mata norte de Pernambuco, herdou dos
seis pais e avós a arte da cultura musical, sendo o seu pai sanfoneiro e seus
avós dominavam também o coco e a ciranda. Na sua infância costumava sempre
cantar enquanto trabalhava na roça. Após passar 9 anos no Rio de Janeiro, na
década de 80 Dona Del volta para Pernambuco, dando continuidade na composição
de suas músicas. Foi quando surgiu a oportunidade de sua primeira apresentação
a ONG SOS CIDADÃO, e a partir daí iniciou a sua trajetória de apresentações.
SHIFTY SIDE
Ironicamente
criada no mês que tradicionalmente é dedicado ao Carnaval, surge a banda Shifty
Side em Fevereiro de 2007, trazendo para Recife batidas de rock e hardcore. Na
raça a banda lança o seu primeiro EP “Caindo Sozinho” já em 2009 eles entram em
um estúdio para gravar de forma independente o CD intitulado “11 Segundos”,
mostrando um trabalho mais sólido, criativo e com muita identidade que foi
lançado em Dezembro de 2009. Hoje se
consolidam como uma das bandas mais influentes na cena local de hardcore em
Pernambuco, que os levam a participações em festivais, programas de TV, execuções
nas maiores web-rádios e convites em coletâneas de rock nacional e
internacional. Tendo como influência bandas como: NX Zero, Dead Fish, Queens of
The Stone Age, The Used e outras, a Shifty Side se prepara para o lançamento do
segundo CD intitulado “Máquina Humana”, marcando a entrada de Balis na bateria,
o que deixou a banda com uma nova pegada, com mais sonoridade e mais
alternativa.
COCO DO TORÉ PANDEIRO DO MESTRE
O
Pandeiro do Mestre é um dos grupos de coco mais requisitados de Pernambuco,
constantemente apresentando em festivais importantes do estado. A banda veio
animando os principais palcos e bares da Região Metropolitana do Recife, onde
também está inserido o coco como uma das diversões adaptadas nas cidades, uma
manifestação popular da diversidade cultural nordestina. O coco de toré que
domina o repertório do Pandeiro do Mestre é uma forma de expressão fortemente
influenciada pelos ritmos do coco-de-roda da região agreste-sertão e pela
musicalidade do toré, ritual dos índios do nordeste brasileiro. O grupo também
canta as cirandas de Baracho e da autoria de Nilton Jr. As poesias e as
melodias criadas pelo compositor Nilton Jr. descrevem, representam e captam os
sentimentos dos muitos, não somente da região, mas dos ouvintes fora do estado
e do país. Nos últimos anos, o grupo foi convidado para realizar os shows fora
do estado. A demanda dos artistas que procuram música com conteúdo cultural,
Nilton Jr. freqüentemente recebe pedidos de compor cocos. O grupo Pandeiro do
Mestre surgiu como um projeto paralelo da lendária banda Chão e Chinelo
(Integrantes: Maciel Salu, Rodrigo Caçapa, Gustavo Vilar, Guilherme Medeiros,
Márcio Costa e Nilton Jr.) que fez sucesso na década de 90 internacionalmente,
junto com outras bandas referenciais da época: Mestre Ambrosio, Comadre
Fulozinha, Chico Science & Nação Zumbi e Cascabulho. Aos poucos nasceu um
repertório de composições próprias e linguagem característica. O nome PANDEIRO
DO MESTRE é emprestado de um coco composto por Nilton Jr (hoje o único
remanescente da primeira formação), que presta homenagens à banda Cascabulho,
ainda no tempo em que a mesma fazia um projeto itinerante pelas feiras da
capital e do interior pernambucano, mostrando a música de Jackson do Pandeiro.
CAVALO MARINHO BOI PINTADO
Criando-se aos redores da casa do Mestre Batista
na Chã de Camará em Aliança, onde trabalhou muito, desde cedo com o cultivo da
cana-de-açúcar Mestre Grimario esquecia-se de si mesmo e pegava-se brincando,
imitando aquela figura para ele patriarcal com a brincadeira do Cavalo Marinho,
utilizavam de garrafas, latas e matos que arrancava para se fazer do Nego
Mateus e após muito “faz de conta” em brincadeiras com outras crianças, ele foi
tornando-se folgazão, começou como “daminha” onde os garotos se vestiam de
menina (pois na época ainda era proibida a presença de mulheres nas tradições
culturais daquela região), foi adquirindo as figuras de “Seu Ambrósio”, onde
recebeu um troféu como melhor figureiro, o “Pisa Pilão” dentre outros até
tornar-se mestre, mestrando o cavalo marinho do Mestre Batista. Devido sua
necessidade artística de ter seu próprio brinquedo vivendo desde a infância
acompanhando os mestres mais tradicionais desejava fazer “algumas modificações”
na brincadeira, então em Abril de 1993 criou o seu próprio brinquedo, e o
intitulou de "Boi Pintado" em homenagem a um boizinho que ele
estimava muito quando criança, chamado pintadinho. Hoje Mestre Grimario e o seu
"Cavalo Marinho Boi Pintado", são referencias dessa tradição da Zona
da Mata Norte em Pernambuco, onde ela mescla a tradição com modernidade,
levando o nome do nosso estado para outras regiões e até no exterior.
Texto por Cristiano Jerônimo










